O tempo age como bem entende
Enquanto a gente depende
Do universo e suas conspirações,
Dos bons ventos em nossas direções
Eis que num confuso momento
Decidira, ele, agir de repente
Soprou, soprou, e fez cair
Você, aqui, bem na minha frente.
Não era o momento certo,
a gente sequer esperava
Que um fosse entrar na vida
do outro, e pra ficar, mesmo que pouco
Quiçá seja difícil lidar com
Esses momentos certamente breves
Voláteis, intensos e bonitos
Cuja finidade é tida com pesar
Muito embora, te tenho
E felizes meus dias estão
Pois, vá quando precisar partir
Que eu também hei de ir
Porém, tua falta, será inevitável sentir
Em dias onde a presença
seria mais que bem-vinda e quista,
junto a um café e boa conversa
Porém, há de ser bonito o que agora temos
pelo pouco que perdurar, pois
Inobstante é o nosso sentimento -
e deste, a gente há de se lembrar
Tuesday, November 4, 2014
Sunday, August 31, 2014
Alta Tensão
Eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo
passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegas por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.
(Bruna Lombardi)
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo
passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegas por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.
(Bruna Lombardi)
Thursday, May 22, 2014
exosfera
as olheiras formam uma órbita profunda
em torno de meus olhos inexpressivos
à medida que aumenta em progressão geométrica
a quantidade de livros sobre a mesa
feições demonstrando exaustão
quase derrotadas, lutando para que a
gravidade que lhes acelera ao chão
aja mais leve e piedosamente
sobre um rosto tão jovem
e marcado pelas tristezas
que abrigam o amplo peito que
abalado pelo desgaste de um ano cão,
se desfaz em migalhas
durante meses a fio
estou só
enclausturada em pensamentos, só
e somente dentro desta cabeça minha, só
é impossível ser
a felicidade amarrada a uma bolsa de papel
atirada à sorte do acaso no qual
não acredito que exista, seja não
pura coincidência se decidir retornar
a gente muda e não volta
a ser quem era, um dia
quem sabe mudanças sejam boas,
quem sabe, se são apenas necessárias
em torno de meus olhos inexpressivos
à medida que aumenta em progressão geométrica
a quantidade de livros sobre a mesa
feições demonstrando exaustão
quase derrotadas, lutando para que a
gravidade que lhes acelera ao chão
aja mais leve e piedosamente
sobre um rosto tão jovem
e marcado pelas tristezas
que abrigam o amplo peito que
abalado pelo desgaste de um ano cão,
se desfaz em migalhas
durante meses a fio
estou só
enclausturada em pensamentos, só
e somente dentro desta cabeça minha, só
é impossível ser
a felicidade amarrada a uma bolsa de papel
atirada à sorte do acaso no qual
não acredito que exista, seja não
pura coincidência se decidir retornar
a gente muda e não volta
a ser quem era, um dia
quem sabe mudanças sejam boas,
quem sabe, se são apenas necessárias
Friday, January 24, 2014
like magnets
“It was understood that they shared the same thresholds--the same inexhaustible appetite for wasting time, for discussing lofty ideas, for dissecting trivial things, for driving to nowhere in particular, for listening to music, for talking about books, for obsessing over pop culture, but mostly for laughing, talking, and simply being together. There was nothing one could say that the other would find too cruel or too kind. And on those rare occasions when they did tire of each other, they needed only go a day without talking before they yearned to reconnect.”
Galt Niederhoffer, The Romantics
Galt Niederhoffer, The Romantics
Thursday, January 9, 2014
take p/ bere
foi tudo muito súbito
tudo muito susto
tudo assim como a resposta
fica quando chega a pergunta
esse isso meio assunto
que é quando a gente está longe
e continua junto
tudo muito susto
tudo assim como a resposta
fica quando chega a pergunta
esse isso meio assunto
que é quando a gente está longe
e continua junto
Paulo Leminski
Thursday, December 19, 2013
Sunday, November 17, 2013
Sunday, October 6, 2013
le cœur lourd
e bem que me falaram
que ao dividir uma música
ela vira trilha sonora
de um momento qualquer
com outrém;
e quando eu assoviei
a melodia que soava no pensamento
foi que eu dividi
a minha música com
aquele cara
ela é menos minha
diz menos respeito a mim
ela faz lembrar
daquilo que fica melhor guardado
ah, se eu tivesse ficado quieta
e tu não tivestes cantado junto
minha música seria ainda minha
e eu não pensaria no conjunto
nosso, de nós e os nossos dizeres
nossas risadas e nossos olhares
que falavam por nós
que nos envolviam
na madrugada, abafada
ao nosso redor
agora, onde está a segunda voz?
que ao dividir uma música
ela vira trilha sonora
de um momento qualquer
com outrém;
e quando eu assoviei
a melodia que soava no pensamento
foi que eu dividi
a minha música com
aquele cara
ela é menos minha
diz menos respeito a mim
ela faz lembrar
daquilo que fica melhor guardado
ah, se eu tivesse ficado quieta
e tu não tivestes cantado junto
minha música seria ainda minha
e eu não pensaria no conjunto
nosso, de nós e os nossos dizeres
nossas risadas e nossos olhares
que falavam por nós
que nos envolviam
na madrugada, abafada
ao nosso redor
agora, onde está a segunda voz?
Tuesday, July 23, 2013
lua
I wish I was closer, just a little closer to you right now. I wish distance would not be a matter that could, eventually, keep us apart. I wish I was closer; for everything I see in you, I envy its place, for it is near you. Every emotion, every object, every person near you, I wish it was me.
As I wish I could be that one song we both adore, the one with just a simple acoustic guitar playing with no syncronism at all, and the raspid - yet amazing - voice which transform it into a deep, soulfull, melancholic song. I wish I could be all that you feel when that song is playing, all the sadness that surrounds you and all the happiness which is the reason you smile when your hear it. As I also wish to be that book on the shelter right next to your bed, the one you regardlessly run for when looking for some answers. I wish I was the calm that washes you. I wish I could be that whisper of peace that only those words bring you. When everything is lonely, I can be my own best friend. I'll get a coffee and a paper, have my own conversations. I wish I was the brown ring of the coffee mug you put to rest on your book when it got too warm for your fingers to keep holding it. I wish I was the heat which warms your hand. I wish I was the strings of your guitar, because God only knows how tenderly you play them; and I wish I was the soft - yet strong-, harmonic and beautiful sounds that come out of that big brown-wood box of yours. Your art matters, oh, it matters so much. And how I wish I'd be the reason why you write those kind-hearted songs - songs that whoever got the opportunity to hear, was impressed and appreciated your true talent. What's so easy in the evening, by the morning is such a drag. I wish I was the mirror on which you glance for the last time before heading out somewhere. I wish I was that gray blazer that you wear sometimes - and instantly take my breath away. I wish I could go back a year ago and go to that place where we first met, where we were strangers and by a trace of fate, some friends in common and a bit of luck, we got to know eachother. And just as soon we got along really well, - the ones who introduced us didn't seemed quite surprised, though - and the rest of the night passed by us while we talked, laughed, bonded in a particular way as we found so much to share. With beer mugs in our hands and smiles upon our faces, the night was a bless. In that moment, everything was in its right place and there was only the nod silence of approval of the possibility of something new. I've got a flask inside my pocket, we can share it on the train, and if you promise to stay conscious, I will try and do the same. Right away I knew that when I'd remember that night, I would remember it as if it had just happened - and I do. All I wish is that I could rewind this whole year back just so I could feel the way I did that night. Surprise, interest, joy, desire, doubt, calm, thrill, hope, excitement. I just wish I could hear your thoughts and find out what was running through your mind as the night passed.
-
Months after, another night, and I was there when your arrived. We didn't say "hi". Instead, for the following hour, our eyes met several times with a shy and curious look, while we stood across the room from each other. After some time, with all the dizzyness in my head, nothing seemed better than to get some air.. Then you came up, suddenly; we stood on a balcony, contemplating the sight of the city as it slept; few were the lights at the apartments, I guess it was kind of late in everyone's clock. The view from that point was mesmerizing, the city always seemed more beautiful from that angle. There was nothing around us, it was just you and I. We barely got to talk as much, inasmuch as the intensity of your eyes looking at mine was just too strong, too deep, too inestimable. I felt like we were magnetized, 'cause our bodies kept getting closer. What's so simple in the moonlight, now it's so complicated. I wish I was the look on your eye that day, and the touch of your hand, and your lips as they kissed mine. I know you have a heavy heart, I can feel it when we kiss. I wish I was the grace of that moment. I wish I found a way to get closer to you somehow. And I'm not sure what the trouble was that started all of this, the reasons all have run away but the feeling never did. These butterflies in my stomach when I got near you, the tingly fingers, the desire to be around you, this doesn't have a name yet. I wish it had. I wish I was the grace of that moment. I wish I found a way to get closer to you somehow. And I'm not sure what the trouble was that started all of this, the reasons all have run away but the feeling never did.
-
I know that it is freezing but I think we have to walk, keep waving at the taxis, they keep turning their lights off. I wish I had gone to that bar last saturday just to see how you would react, just so you'd had talked to me, just so we had another memory.
-
As I wish I could be that one song we both adore, the one with just a simple acoustic guitar playing with no syncronism at all, and the raspid - yet amazing - voice which transform it into a deep, soulfull, melancholic song. I wish I could be all that you feel when that song is playing, all the sadness that surrounds you and all the happiness which is the reason you smile when your hear it. As I also wish to be that book on the shelter right next to your bed, the one you regardlessly run for when looking for some answers. I wish I was the calm that washes you. I wish I could be that whisper of peace that only those words bring you. When everything is lonely, I can be my own best friend. I'll get a coffee and a paper, have my own conversations. I wish I was the brown ring of the coffee mug you put to rest on your book when it got too warm for your fingers to keep holding it. I wish I was the heat which warms your hand. I wish I was the strings of your guitar, because God only knows how tenderly you play them; and I wish I was the soft - yet strong-, harmonic and beautiful sounds that come out of that big brown-wood box of yours. Your art matters, oh, it matters so much. And how I wish I'd be the reason why you write those kind-hearted songs - songs that whoever got the opportunity to hear, was impressed and appreciated your true talent. What's so easy in the evening, by the morning is such a drag. I wish I was the mirror on which you glance for the last time before heading out somewhere. I wish I was that gray blazer that you wear sometimes - and instantly take my breath away. I wish I could go back a year ago and go to that place where we first met, where we were strangers and by a trace of fate, some friends in common and a bit of luck, we got to know eachother. And just as soon we got along really well, - the ones who introduced us didn't seemed quite surprised, though - and the rest of the night passed by us while we talked, laughed, bonded in a particular way as we found so much to share. With beer mugs in our hands and smiles upon our faces, the night was a bless. In that moment, everything was in its right place and there was only the nod silence of approval of the possibility of something new. I've got a flask inside my pocket, we can share it on the train, and if you promise to stay conscious, I will try and do the same. Right away I knew that when I'd remember that night, I would remember it as if it had just happened - and I do. All I wish is that I could rewind this whole year back just so I could feel the way I did that night. Surprise, interest, joy, desire, doubt, calm, thrill, hope, excitement. I just wish I could hear your thoughts and find out what was running through your mind as the night passed.
-
Months after, another night, and I was there when your arrived. We didn't say "hi". Instead, for the following hour, our eyes met several times with a shy and curious look, while we stood across the room from each other. After some time, with all the dizzyness in my head, nothing seemed better than to get some air.. Then you came up, suddenly; we stood on a balcony, contemplating the sight of the city as it slept; few were the lights at the apartments, I guess it was kind of late in everyone's clock. The view from that point was mesmerizing, the city always seemed more beautiful from that angle. There was nothing around us, it was just you and I. We barely got to talk as much, inasmuch as the intensity of your eyes looking at mine was just too strong, too deep, too inestimable. I felt like we were magnetized, 'cause our bodies kept getting closer. What's so simple in the moonlight, now it's so complicated. I wish I was the look on your eye that day, and the touch of your hand, and your lips as they kissed mine. I know you have a heavy heart, I can feel it when we kiss. I wish I was the grace of that moment. I wish I found a way to get closer to you somehow. And I'm not sure what the trouble was that started all of this, the reasons all have run away but the feeling never did. These butterflies in my stomach when I got near you, the tingly fingers, the desire to be around you, this doesn't have a name yet. I wish it had. I wish I was the grace of that moment. I wish I found a way to get closer to you somehow. And I'm not sure what the trouble was that started all of this, the reasons all have run away but the feeling never did.
-
I know that it is freezing but I think we have to walk, keep waving at the taxis, they keep turning their lights off. I wish I had gone to that bar last saturday just to see how you would react, just so you'd had talked to me, just so we had another memory.
-
my favorite of all
http://www.youtube.com/watch?v=5aZh261KZWI
Monday, July 15, 2013
41
mais um ano
da mais linda
das pessoas
que já habitaram
este universo
sinto sintomas de saudade.
da mais linda
das pessoas
que já habitaram
este universo
sinto sintomas de saudade.
"beautiful girl, gave me a name, gave me a life to fill, splendid embrace
she didn't know time would unveil
give her the right to heal any odd thing.
and when life brought doubt, she was always there to let you know it...
when the crowd walks out, she'll be standing by your side, you know it.
such a beautiful girl..."
Gave me a Name, Tiago Iorc
http://www.youtube.com/watch?v=5i16wPBHq50
Friday, July 12, 2013
geborgenheit
Tão maior que eu, tão maior que você e quiçá maior que todos nós juntos - alegria. Debaixo dos telhados, debaixo do céu que caía sob as cabeças daqueles tomando seus rumos pelas ruas da cidade - meu guarda-chuva vermelho estava aberto. O rumo que tomaria aquela tarde de chuva: uma incógnita. (De novo, de novo: o dia estava muito bonito.) Sentados um frente ao outro na mesa, eu via um rosto tão cheio de plenitude, de alegria - na sua melhor forma -, um sorriso de orelha a orelha que me observava tagarelar sobre as coisas da vida. E interrompia, de vez em quando, para dividir a graça das nossas coincidências. Cheio do que me contar - dos dias no leste do mundo, o que esperava do futuro, o que esperava de si, o que lhe faria voltar, o que lhe faria vacilar e querer ficar, sua politimidade era vasta -, cheio do que dividir. E assim ficamos ali, coincidindo-nos, com paixões, histórias e inspirações; nossas harmonias soavam em uíssono. E eu o admirava, ouvia e me encantava a cada minuto que passava; rimos, gargalhamos juntos e um do outro. E eu gostei de rir - era um sopro de felicidade na alma.
Não sei dar nome a isso, só sei que fez surgir uma baita felicidade dentro de mim. Depois disso, com uma boa dose de bom-humor, as conversas tornaram a ser cada vez mais longas, as revelações cada vez mais íntimas e as vozes ao referir-se um ao outro, cada vez mais doces. Teu canto soa nas caixas de som do meu quarto, pelo menos uma vez ao dia. E, assim, encontro-me refeita, com uma paz sentada no peito a qual eu sentira falta. O que paira - agora - na cabeça é esse tudo-ou-nada no qual eu, hora ou outra, terei que enfrentar.
-
Como um glossário ambulante, ontem eu perambulei pelas ruas, já depois da oito, tentando dar nome àquilo que não tem. Aquilo que só é. Aquilo que se é. Aquilo que faz ser de nós, pessoas melhores - mais bonitas, mais gentis, mais tranquilas, mais plenas. Ao enxergar a implicidade, transcendência e subjetividade disso, uma geborgenheit explícita nasceu em mim.
Eu me iniciei, me reiniciei; comecei de novo. Tudo, de novo. Era o ponto de partida.
E era como se eu rejuvenescesse a cada minuto que passava, o mundo tornava-se mais colorido e mais puro - e ele arrancava suspiros de mim. E queria mais, mais e mais disso, o que quer que fosse, que fazia isso comigo. Isso que me fazia querer sentir tudo mais intensamente, sentir mais a vida e as pessoas, e os dias e o tempo que desfrutamos; a sua delicadeza ao fazê-lo, a imensidão da percepção minusciosa do que o rodeava, o cuidado com cada palavra que pronunciava. Acho que era ele mesmo, - será? - que fazia tudo ressaltar positividade, mas preferi não perceber muito. Isso que fazia o momento fluir, eu queria mais disso. Eu só queria saber de ficar ali, prolongar o dia, a estadia frente a ele, naquela mesa do meio do nada. Como é que nos esbarramos tão de repente? - eu me perguntava enquanto sua voz invadia meus ouvidos de tudo que havia de melhor.Não sei dar nome a isso, só sei que fez surgir uma baita felicidade dentro de mim. Depois disso, com uma boa dose de bom-humor, as conversas tornaram a ser cada vez mais longas, as revelações cada vez mais íntimas e as vozes ao referir-se um ao outro, cada vez mais doces. Teu canto soa nas caixas de som do meu quarto, pelo menos uma vez ao dia. E, assim, encontro-me refeita, com uma paz sentada no peito a qual eu sentira falta. O que paira - agora - na cabeça é esse tudo-ou-nada no qual eu, hora ou outra, terei que enfrentar.
-
Como um glossário ambulante, ontem eu perambulei pelas ruas, já depois da oito, tentando dar nome àquilo que não tem. Aquilo que só é. Aquilo que se é. Aquilo que faz ser de nós, pessoas melhores - mais bonitas, mais gentis, mais tranquilas, mais plenas. Ao enxergar a implicidade, transcendência e subjetividade disso, uma geborgenheit explícita nasceu em mim.
ouvindo
http://www.youtube.com/watch?v=ceoHTwhdPJ8
Wednesday, July 10, 2013
sete e meia
não sei se coincidência
ou força do pensamento
mas que é estranho
e curioso o fato
de que exatamente no momento
em que viestes à minha cabeça,
eu olho pela janela do carro
e estás a atravessar a rua...
ah, é.
ou força do pensamento
mas que é estranho
e curioso o fato
de que exatamente no momento
em que viestes à minha cabeça,
eu olho pela janela do carro
e estás a atravessar a rua...
ah, é.
ouvindo
http://www.youtube.com/watch?v=oTbObag1r0I
http://www.youtube.com/watch?v=-IunmW3wI5Q
http://www.youtube.com/watch?v=9yHbo1Q88uQ
Friday, July 5, 2013
real/surreal
(la vérité)
c'est un petit différant
ma vie pour les yeux
de toi, de vous, de eux
chaque détail et mon étendue
j'ai envie de promener moi
dans tout la vie
partir pour découvrir
mon morceau du monde
et d'autres personnes ne comprennent
jamais rien mes idées et mes rêves
parce que ils ont de la misère:
ils ne lisent pas la beauté de la vie
-
(le motif)
j'ai oublié le goût du bonheur
alors, je vais lui cherche
où que vous soyez et n'a pas d'importance
jusqu'à quel point il est
-
(si vous voulez..)
je sais solement un chose: à côte de toi je peux tout (ou presque tout).
c'est un petit différant
ma vie pour les yeux
de toi, de vous, de eux
chaque détail et mon étendue
j'ai envie de promener moi
dans tout la vie
partir pour découvrir
mon morceau du monde
et d'autres personnes ne comprennent
jamais rien mes idées et mes rêves
parce que ils ont de la misère:
ils ne lisent pas la beauté de la vie
-
(le motif)
j'ai oublié le goût du bonheur
alors, je vais lui cherche
où que vous soyez et n'a pas d'importance
jusqu'à quel point il est
-
(si vous voulez..)
nous pouvons aller ensemble
pour les rues de la cité
pour les cafés e les musées
et l'amour peut se moque bien de nous
-
je sais solement un chose: à côte de toi je peux tout (ou presque tout).
enquanto escrevia
nas abas do navegador
http://www.youtube.com/watch?v=C6e5wxzPsQM
http://www.youtube.com/watch?v=QqgIHeHReoM&feature=youtu.be
nas abas do navegador
http://www.youtube.com/watch?v=C6e5wxzPsQM
http://www.youtube.com/watch?v=kvD7a2fRV7A
http://www.youtube.com/watch?v=nGqF5XtvESE
http://www.youtube.com/watch?v=9kO4OyKFMSI
http://www.youtube.com/watch?v=YLLeUoafq44
Thursday, July 4, 2013
all shapes and sizes
"E por um instante alcancei o estágio do êxtase que sempre quis atingir, que é a passagem completa através do tempo cronológico num mergulhar em direção às sombras intemporais, e iluminação na completa desolação do reino mortal e a sensação de morte mordiscando meus calcanhares e me impelindo para a frente como um fantasma perseguindo seus próprios calcanhares, e eu mesmo correndo em busca de uma tábua de salvação de onde todos os anjos alcançaram voo em direção ao vácuo sagrado do vazio primordial, o fulgor potente inconcebível reluzindo na radiante Essência da Mente, incontáveis terras-lótus desabrochando na mágica tepidez do céu. Eu podia ouvir um farfalhar indescritível que não estava apenas nos meus ouvidos, mas em todos os lugares, e não tinha nada a ver com sons. Percebi ter morrido e renascido incontáveis vezes, mas simplesmente não me lembrava justamente porque as transições da vida para a morte e de volta à vida são tão fantasgoricamente fáceis, uma ação mágica para o nada, como adormecer e despertar um milhão de vezes na profunda ignorância, e em completa naturalidade. Compreendi que somente devido à estabilidade da Mente essencial é que essas ondulações de nascimento e morte aconteciam, como se fosse a ação do vento sobre uma lâmina de água pura e serena como um espelho. Senti uma satisfação suave, serpenteante como um tremendo pico de heroína numa veia principal; como aquele gole de vinho que te traz um arrpeio de satisfação num fim de tarde; meus pés se arrepiaram. Pensei que ia morrer naquele exato instante. Mas não morri e caminhei uns sete quilômetros, catei dez longas baganas e as levei para o quarto de Marylou no hotel e derramei os restos de tabaco no meu velho cachimbo e o acendi. Eu era jovem demais para perceber o que havia se passado."On the Road
Jack Kerouac
Tuesday, July 2, 2013
wasted
um aqui
distante
só
anseia achar
o seu par
em algum lugar
distante
só
anseia achar
o seu par
em algum lugar
http://www.youtube.com/watch?v=LUdyueKu-sk
http://www.youtube.com/watch?v=NnzIrRykilA
http://www.youtube.com/watch?v=3iaOrql6ylw
Saturday, June 1, 2013
mountains
tentando entender
encontrar uma razão
pr'aquilo que ocupou
assim, o coração
procuro um motivo
um por quê
de ser tão difícil
não pensar em você
até em sonho
deu o ar da graça
e aqui o tempo passa
e eu ainda sem entender
'porque é tão difícil
não pensar em você,
porque o sangue pulsa forte
toda vez que te vê
porque o mundo é tão vazio
com a tua ausência'
deixa o inverno chegar
sua barba crescer
que o frio te trará
de volta pra cá, enfim
conversar d'aquilo
tudo que nos agrada
tudo que é bonito
tudo no que somos parecidos
aqui nessa praça vazia
a gente pode pegar um violão
e achar graça e cantar desafinado
até o sol raiar
e o mundo nos chamar de volta
até lá eu penso
em como você é bonito
e no por quê de ser tão difícil
não estar com você
e tento não pensar
no que poderia ser,
quem sabe
(...)
sem fim.
encontrar uma razão
pr'aquilo que ocupou
assim, o coração
procuro um motivo
um por quê
de ser tão difícil
não pensar em você
até em sonho
deu o ar da graça
e aqui o tempo passa
e eu ainda sem entender
'porque é tão difícil
não pensar em você,
porque o sangue pulsa forte
toda vez que te vê
porque o mundo é tão vazio
com a tua ausência'
deixa o inverno chegar
sua barba crescer
que o frio te trará
de volta pra cá, enfim
vamos caminhar
por aí e discutir
e discursar
a vida que nos leva, longe
conversar d'aquilo
tudo que nos agrada
tudo que é bonito
tudo no que somos parecidos
aqui nessa praça vazia
a gente pode pegar um violão
e achar graça e cantar desafinado
até o sol raiar
e o mundo nos chamar de volta
até lá eu penso
em como você é bonito
e no por quê de ser tão difícil
não estar com você
e tento não pensar
no que poderia ser,
quem sabe
(...)
sem fim.
ao som de
http://www.youtube.com/watch?v=84no_HITKFo
Monday, May 27, 2013
shake it out
And I'm damned if I do
And I'm damned if I don't
So here's to drinks in the dark
At the end of my rope
And I'm ready to suffer
And I'm ready to hope
It's a shot in the dark aimed right at my throat
'Cause looking for heaven, found the devil in me
But what the hell
I'm gonna let it happen to me.
It's always the darkest before the dawn
Florence + The Machine
Monday, May 20, 2013
like elephants
teu sorrir já vai
quando não te olham mais
e teu falar bonito
se esvai quando o dia cai
-
ela dá voltas
mas nunca para no mesmo lugar
ela não senta
só se recosta na parede até a música acabar
ela suspira com os olhos
seus pesares constantes
e quando a alma grita,
ela só diz "vamos dançar?"
ela age como outono
ela diz o que ninguém sabe
entende o que não percebem
ela vê a alma d'outrém, de longe;
ela tem algo que outros não tem
transborda suas cores em um céu escuro
e pinta-no com seus reflexos
suas vertentes, suas esquinas
os cabelos castanhos, os dedos nus
no seu coração faminto
seus cantos e dobras descolorem;
quiçá sua verdadeira sina
seja a de não conseguir se entregar
e rema àcolá.
e re-ama.
e,
(...).
quando não te olham mais
e teu falar bonito
se esvai quando o dia cai
-
ela dá voltas
mas nunca para no mesmo lugar
ela não senta
só se recosta na parede até a música acabar
ela suspira com os olhos
seus pesares constantes
e quando a alma grita,
ela só diz "vamos dançar?"
ela age como outono
ela diz o que ninguém sabe
entende o que não percebem
ela vê a alma d'outrém, de longe;
ela tem algo que outros não tem
transborda suas cores em um céu escuro
e pinta-no com seus reflexos
suas vertentes, suas esquinas
os cabelos castanhos, os dedos nus
no seu coração faminto
seus cantos e dobras descolorem;
quiçá sua verdadeira sina
seja a de não conseguir se entregar
e rema àcolá.
e re-ama.
e,
(...).
para ler ouvindo..
http://www.youtube.com/watch?v=ezfh5KeiWs0
Saturday, May 11, 2013
sail
No meio de tanta gente; tanta gente chata, desinteressante, sem graça e superficial. Tanta gente divertida, alto-astral, verdadeira e que não para de sorrir. Em meio à música que por vezes se repete, às pessoas que dançam, cantam e levantam seus corpos no ar; em meio à tudo isso, encontrava-me eu ali, parada, à mercê disso que transcrevo.
Não sei o que acontece, mas às vezes parece que só enxergo através d'alma. Onde tudo tem mais contraste, mais cor, mas satura-se mais facilmente; onde se vê tão melhor, com tanta clareza e um filtro puro no olhar. Assim, almeijo alto, e digo ao futuro próximo - e o longíquo - aquilo que quero ser.
Seja dançando, cantando, sorrindo ou conhecendo gente nova, que a vida nunca perca a essência em inovar. Que eu nunca deixe de querer mudar, e sorrir mais, cantar mais, dançar mais e ser mais quem sou. Que eu continue a me atirar na vida sem mais nem menos, sem pestanejar, deixando-me consumir por tudo o que é belo. Que meus impulsos sejam cada vez mais descontrolados e desmedidos. Que eu não me contenha, não guarde palavras na boca, não dê meios passos ou meios sorrisos. Quero não perder a coragem de deixar meu peito a mostra para essas implosões que pacificam, esse excesso, essa vertigem em estar vivo. Quero que me doa, consuma, e torne-me a vida um sufoco, vez em quando, pois de nada vale a felicidade sem seu antônito em paralelo, lembrando-nos em tempos difíceis, o valor de um sorriso genuíno. Quero sempre fazer o bem, porque o mundo vai mal. Quero dizer palavras de conforto a alguém, quero meus amigos sempre perto, em alma e coração. Que eu conheça muitas pessoas nessa vida, mas que saiba sempre quem são os poucos e bons. E esses amigos que habitam o coração, que sejam poucos, que sejam loucos, mas que sejam verdadeiros.
Que eu olhe sempre esse imenso céu e aponte no horizonte, distante, onde eu quero chegar. Que eu encontre um cantinho bom pra mim nesse mundão, mas que este mundo seja grande o suficiente para abrigar todos o meu sonhar. Que eu vá encontrar meu caminho nesse próximo ano, longe, mas que eu nunca esqueça o caminho de casa.
Quero continuar a entrar em uma galeria e parar por horas e horas, e ver, sentir, entender arte; que a arte continue a me resgatar, a cavar dentro de mim com suas mais profundas virtudes. Que eu continue a passar pelas ruas e quando encontrar palavras gentis, sorrir. Quero ouvir o piano com o violino, soando, em uma harmonia desconcertantemente linda, e que eu sorria, que eu chore, que eu sinta ao máximo. Que a música seja sempre minha maior paixão. Que ela continue a me tirar do sufoco, me abra espaço; que esta continue a dar-me o ar que enche os pulmões. Que esta me faça flutuar e arder e queimar. Que eu encontre forças o suficiente para ter meu coração partido, pois aguda e cruel é essa dor, mas que eu saiba enfrentá-la. Contudo, ainda mais, que eu encontre forças para reerguer-me, para levantar, para amar e encontrar um alguém que seja belo. E que esse alguém me guie mas nunca me ancore. Que quando eu estiver com esse alguém, não haja outro lugar onde eu pudesse querer estar; exatamente por eu ser alguém que sempre quer estar em outro lugar. Que eu dê um tempo para navegar. Que eu me dê um tempo e tire folga do mundo, tire folga de tudo. Quero passar mais tempo fluindo.
Que minha alma seja um filtro de tudo o que me invade; que eu sempre encontre espaço para doer, para curar e para aprender. Que eu me perfure com espinhos de rosa, para que a essência de belas flores inexatas me invadam, mil tons de cores, e pretos-e-brancos, e vontades imensuráveis. Que eu continue a querer os quereres maiores que nosso caos, esses que nos trazem de volta para o centro de todo o nosso futuro. E que seja bagunçado, incabível, transbordado, incompreensível, eloquente e pulsante, mas que seja belo o viver, acima de qualquer aposta.
A gente na vida foi feito pra voar.
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Não sei o que acontece, mas às vezes parece que só enxergo através d'alma. Onde tudo tem mais contraste, mais cor, mas satura-se mais facilmente; onde se vê tão melhor, com tanta clareza e um filtro puro no olhar. Assim, almeijo alto, e digo ao futuro próximo - e o longíquo - aquilo que quero ser.
Seja dançando, cantando, sorrindo ou conhecendo gente nova, que a vida nunca perca a essência em inovar. Que eu nunca deixe de querer mudar, e sorrir mais, cantar mais, dançar mais e ser mais quem sou. Que eu continue a me atirar na vida sem mais nem menos, sem pestanejar, deixando-me consumir por tudo o que é belo. Que meus impulsos sejam cada vez mais descontrolados e desmedidos. Que eu não me contenha, não guarde palavras na boca, não dê meios passos ou meios sorrisos. Quero não perder a coragem de deixar meu peito a mostra para essas implosões que pacificam, esse excesso, essa vertigem em estar vivo. Quero que me doa, consuma, e torne-me a vida um sufoco, vez em quando, pois de nada vale a felicidade sem seu antônito em paralelo, lembrando-nos em tempos difíceis, o valor de um sorriso genuíno. Quero sempre fazer o bem, porque o mundo vai mal. Quero dizer palavras de conforto a alguém, quero meus amigos sempre perto, em alma e coração. Que eu conheça muitas pessoas nessa vida, mas que saiba sempre quem são os poucos e bons. E esses amigos que habitam o coração, que sejam poucos, que sejam loucos, mas que sejam verdadeiros.
Que eu olhe sempre esse imenso céu e aponte no horizonte, distante, onde eu quero chegar. Que eu encontre um cantinho bom pra mim nesse mundão, mas que este mundo seja grande o suficiente para abrigar todos o meu sonhar. Que eu vá encontrar meu caminho nesse próximo ano, longe, mas que eu nunca esqueça o caminho de casa.
Quero continuar a entrar em uma galeria e parar por horas e horas, e ver, sentir, entender arte; que a arte continue a me resgatar, a cavar dentro de mim com suas mais profundas virtudes. Que eu continue a passar pelas ruas e quando encontrar palavras gentis, sorrir. Quero ouvir o piano com o violino, soando, em uma harmonia desconcertantemente linda, e que eu sorria, que eu chore, que eu sinta ao máximo. Que a música seja sempre minha maior paixão. Que ela continue a me tirar do sufoco, me abra espaço; que esta continue a dar-me o ar que enche os pulmões. Que esta me faça flutuar e arder e queimar. Que eu encontre forças o suficiente para ter meu coração partido, pois aguda e cruel é essa dor, mas que eu saiba enfrentá-la. Contudo, ainda mais, que eu encontre forças para reerguer-me, para levantar, para amar e encontrar um alguém que seja belo. E que esse alguém me guie mas nunca me ancore. Que quando eu estiver com esse alguém, não haja outro lugar onde eu pudesse querer estar; exatamente por eu ser alguém que sempre quer estar em outro lugar. Que eu dê um tempo para navegar. Que eu me dê um tempo e tire folga do mundo, tire folga de tudo. Quero passar mais tempo fluindo.
Que minha alma seja um filtro de tudo o que me invade; que eu sempre encontre espaço para doer, para curar e para aprender. Que eu me perfure com espinhos de rosa, para que a essência de belas flores inexatas me invadam, mil tons de cores, e pretos-e-brancos, e vontades imensuráveis. Que eu continue a querer os quereres maiores que nosso caos, esses que nos trazem de volta para o centro de todo o nosso futuro. E que seja bagunçado, incabível, transbordado, incompreensível, eloquente e pulsante, mas que seja belo o viver, acima de qualquer aposta.
A gente na vida foi feito pra voar.
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para ler ouvindo..
http://www.youtube.com/watch?v=ghb6eDopW8I
Wednesday, April 24, 2013
dépaysement
I
cabeças introspectivas
mexendo-se como os trilhos
de lá pra cá
à direitas e esquerdas
do trem que corre sem o tempo parar
junto aos que andam com o mundo a rodar
dançam e dançam sob as ruas da cidade
sem que a mágica alguma lhes possa tocar
II
na cabine branca
o som dos metais soando
uma melodia bonita
clarinetes e trompetes
e os copos de plástico barato
passando e recolhendo
as moedas de piedade e compaixão
III
chegou à saint-lazare
salto na plataforma
na placa informa marie d'issy à esquerda
sigo por lá
ando pelas escadas que vão para mais longe da superfície
pelos labirintos subterrâneos
sente-se o ofegar dos que passam
aos passos apressados e os saltos-altos
uma avenida de mão dupla
dos que vêm e dos que vão
IV
entrei no trem à esquerda
e seu destino final será levallois
já o meu ficará
por aqui mesmo
e meus olhos tento deixar abertos
mas o cansaço pesa nas pálpebras
os pés pulsam a fadiga
enquanto observo os borrões nas janelas
as pessoas despercebidas
os anonimatos confortáveis
as multidões separadas por estações
os rumos dispersos e as bifurações
os encontros despercebidos
consecutivos
relevantes e esquecidos
deixados de lado,
entorpecidos
V
por agora só o que me ocorre
é o que passa lá fora
quero ver o sol do norte cair
atrás das árvores de galhos despidos
dos tijolos avermelhados das casas do subúrbio
e eu procurando em estranhos
algo que eu desconheça
procurando um olhar que seja
um único fio que reate a esperança
em um novelo de pessoas
de trens, de ruas, cafés e casas
continuo nas ruas caminhando,
andando e pensando
e sonhando acordada
em meio à beleza do que desconheço
de idiomas estrangeiros
dos hábitos corriqueiros
e dos palpites que tento seguir
"living is easy with eyes closed"
diz a voz nos meus ouvidos
são quase vinte horas no relógio
e o sol começou a cair
-
transcrevendo ao som de
http://www.youtube.com/watch?v=xCVea05GFHU
cabeças introspectivas
mexendo-se como os trilhos
de lá pra cá
à direitas e esquerdas
do trem que corre sem o tempo parar
junto aos que andam com o mundo a rodar
dançam e dançam sob as ruas da cidade
sem que a mágica alguma lhes possa tocar
II
na cabine branca
o som dos metais soando
uma melodia bonita
clarinetes e trompetes
e os copos de plástico barato
passando e recolhendo
as moedas de piedade e compaixão
III
chegou à saint-lazare
salto na plataforma
na placa informa marie d'issy à esquerda
sigo por lá
ando pelas escadas que vão para mais longe da superfície
pelos labirintos subterrâneos
sente-se o ofegar dos que passam
aos passos apressados e os saltos-altos
uma avenida de mão dupla
dos que vêm e dos que vão
IV
entrei no trem à esquerda
e seu destino final será levallois
já o meu ficará
por aqui mesmo
e meus olhos tento deixar abertos
mas o cansaço pesa nas pálpebras
os pés pulsam a fadiga
enquanto observo os borrões nas janelas
as pessoas despercebidas
os anonimatos confortáveis
as multidões separadas por estações
os rumos dispersos e as bifurações
os encontros despercebidos
consecutivos
relevantes e esquecidos
deixados de lado,
entorpecidos
V
por agora só o que me ocorre
é o que passa lá fora
quero ver o sol do norte cair
atrás das árvores de galhos despidos
dos tijolos avermelhados das casas do subúrbio
e eu procurando em estranhos
algo que eu desconheça
procurando um olhar que seja
um único fio que reate a esperança
em um novelo de pessoas
de trens, de ruas, cafés e casas
continuo nas ruas caminhando,
andando e pensando
e sonhando acordada
em meio à beleza do que desconheço
de idiomas estrangeiros
dos hábitos corriqueiros
e dos palpites que tento seguir
"living is easy with eyes closed"
diz a voz nos meus ouvidos
são quase vinte horas no relógio
e o sol começou a cair
-
Dépaysement n.m. (frech): 1. change of scenery; 2. the feeling that comes from not being in one's home country. 3. obsolete/exile.
transcrevendo ao som de
http://www.youtube.com/watch?v=xCVea05GFHU
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